quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

NAS ASAS DO IMAGINÁRIO…




A vontade de ser criança incendeia dentro de mim sempre que passo numa montra de brinquedos ou velharias ou vejo algo que me faz lembrar a minha infância, não há triciclo, bicicleta com rodinhas, barbie, Kenn, homem aranha, gormity, navegante da lua, poupas, monstro das bolachas, songoku, nem noddy que me passem despercebidos. Assim, inconscientemente dou por mim em frente do sofá, sentada e refastelada a brincar com esses objectos que me fazem voar para além do imaginário e a fazer vozes estranhas. 
Realmente os primeiros anos de vida são preponderantes para o nosso futuro, ser criança é uma dádiva que deve ser vivida, aproveitada e acima de tudo guiada, por pessoas capazes de dar carinho, apoio, conduzindo aqueles de quem mais se gosta pelas encostas da felicidade; e, sentir saudade desses tempos é querer voltar, regressar à tenra idade em que fui realmente e verdadeiramente feliz.
À noite, quando me deito, por vezes deparo-me a divagar, a sonhar com algo que gostaria de ser, fazer ou sentir, por vezes até considero ridículo e quase impossível de realizar, sonho que sou quem sou, o que quero ser, o que serei e o que nunca chegarei a ser e acabo por ser isso e muito mais, pois, sou simplesmente eu, as minhas recordações, o meu pensamento, a minha imaginação e o meu sonho que uma voz despertou...
Carla Carvalho

domingo, 17 de janeiro de 2010

QUERER NÃO É PODER



Gostava de pegar numa folha de papel e poder escrever tudo o que vai dentro de mim, na minha alma, no meu ser, mas nem eu sei, não consigo decifrar nem controlar o que se está a passar.

Gostava de poder expelir a vontade que tenho de te poder sentir, de te poder ver…

Mas, como querer não é poder, limito-me ao pensamento que quero que cesse, mas não cessa, que quero que pare, mas não para, que quero que mude mas não muda.

Queria tocar no céu e ver os teus olhos,

Queria ser um pingo de chuva na tua pele,

Queria poder olhar-te e não me sentir traída a mim mesma, pois tantas vezes jurei que não iria mais te olhar, nem pensar no teu ser…

Queria poder sair daqui, fugir, isolar-me num canto em que ninguém me pudesse ver, mas eu pudesse sentir o mundo.

Gostava que esta agitação parasse e não passasse de um sonho, de um pesadelo, preciso respirar…

Mas… querer não é poder…

Carla Carvalho

domingo, 6 de dezembro de 2009

A ARTE DE PLANTAR TOMATES...



(atenção… este texto destina-se apenas a quem sabe do assunto a ser tratado, pois os outros não entenderão o seu conteúdo).

Ultimamente tenho ouvido algumas pessoas com curiosidade em saber como se plantam tomates e, sobretudo, como se tratam dos mesmos, para que fiquem fortes e saudáveis. Tal inquietação deve-se ao facto desta plantação ser uma arte bastante melindrosa, pois, o mínimo descuido pode fazer com que o tomate desapareça e se transforme em algo pegajoso e demasiado mole.

Por conseguinte temos de adubar os tomates (sim, temos, eu também tenho a minha horta), para que estes se aguentem, e, é importante ainda que se plantem bastantes, pois não se sabe os que podem ficar pelo caminho, geralmente, só um sobreviverá.

Se considerarem necessário, pode-se colocar os tomates em estufa, isolado de tudo e de todos, com uma música bem mexida (pois, uma música romântica e calminha pode induzir o tomate em erro). É importante ainda, retirarem-se os telemóveis perto dos tomates, pois, as vibrações deixam-nos confusos, o mesmo acontece com o hi5, MSN e essas coisas todas electrónicas que os deixam fora do controle, capazes de cometerem as maiores loucuras.

Em último recurso podemos embebedar o tomate, não há nada mais interessante do que um tomate no seu estado puro, mas atenção, quando isso acontecer, agarrem bem os vossos tomates a algo verdadeiramente sólido, nunca se sabe do que eles são capazes de fazer.

Estas são algumas dicas para fazer germinar uma boa plantação de tomates, antes que alguém chegue e os apanhe para uma salada.

Boas plantações.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

VIRAR A PÁGINA



A vida é uma caminhada, um livro aberto, sem um final conjecturado, em que o presente não existe, pois, a cada momento se transforma em passado e, o futuro, esse não se sabe se realmente existirá, ou se terminará na linha seguinte. No entanto, conto com ele, vivo e sigo o meu caminho em função dele; por vezes existem trilhos e atalhos que me levam a becos sem saída, obscuros e fraudulentos, onde tudo parece perfeito e de repente pára e… desaparece transformando-se em desilusão, tristeza e um mar de solidão.

As letras que anteriormente formavam aprazíveis palavras transfiguram-se em vazio sem sentido, sentimento ou emoção, agora, são simplesmente laudas que não decifrei.

Resta virar a página, rasgar a anterior e apagar o trilho que está errado no mapa, para esquecer e prosseguir, pois, apesar de nem sempre chegar ao destino ideal, continuo a acreditar e a lutar para não andar à deriva, mas sim planear e avaliar o caminho, os passos e as páginas a virar.

Carla Carvalho

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

gota de água


Era uma vez um cubinho de gelo, banal e frio, como todos os outros cubinhos de gelo que vivem na geleira de um frigorífico. Esse cubinho era cobiçado por todos os outros cubinhos, mas ele não conseguia perceber porquê. Todos lhe diziam que era especial, demasiado perfeito e que havia algo na sua limpidez que o tornava diferente, mais brilhante, destacando-se assim de todos os outros cubinhos. Mas o cubinho mantinha-se confuso, pois não era nada perfeito e até tinha sido construído numa daquelas partes imperfeitas da cuvete de gelo, onde acaba a água e deixa os cubinhos meios tortos e lascados.

Para além disto, o nosso cubinho era muito curioso, sempre que podia, sobretudo nas noites frias de inverno, saia do frigorífico procurando novas amizades, por vezes com sucesso, como foi o caso do m&m e da bolacha Maria, perdidos no espaço entre o frigorífico e a máquina de lavar loiça; por vezes nem por isso, como foi o caso do grupo de biscoitos franceses do frasco ao pé do micro ondas que eram muito rabugentos, diziam que não gostavam do cubinho, preferiam algo mais quente e troçavam da lasca e da superfície torta do cubinho, o que o fazia ficar triste e derreter para dentro do lava-loiça, tornando-o mais pequeno e mais lascado.

Um dia, numa das suas aventuras de curiosidade, o nosso cubinho encontrou um outro cubinho que tinha como destino um copo de sumo de laranja. Esse cubinho estava triste e com medo do que lhe fosse acontecer, foi então, que o cubinho especial, perfeito mas lascado decidiu ir ter com outro cubinho, deslizaram até à máquina de lavar loiça e de imediato os seus iões começaram a movimentar-se a alta velocidade, havia uma chama dentro deles, estavam a derreter. Com isto, foram-se aproximando até se colarem e, tornou-se impossível separarem-se, o cubinho tentou levar o cubinho para casa, mas o seu espacinho na geladeira era pequeno demais para dois cubinhos.

Foi então, que estes dois cubinhos decidiram que jamais se iriam separar.

Nisto…

Caíram entre o frigorífico e a máquina de lavar loiça, e…

Derreteram juntos…

Carla Carvalho

coraçao/pedra


Acabei de descobrir que não sei quem sou, por vezes dizem que não tenho coração, que em vez disso colocaram-me uma pedra, fico triste confusa...

mas... será que quem não tem coração também fica triste? E confusa?

Às vezes sinto-me apaixonada, por coisas que faço, por coisas que quero fazer, por coisas que gostava de fazer e, por muitas outras coisas...

Apaixono-me com facilidade e desiludo-me com a mesma rapidez…

mas... será que quem não tem coração também se apaixona? Também se desilude?

Ultimamente sinto saudade, de quem? De quê? De ser criança, da minha casa, da minha família e… bem… e… de muitas outras coisas…

mas... será que quem não tem coração também sente saudade?

É triste quando nos vemos sozinhos a olhar no horizonte triste e sozinhos... hoje é assim que me sinto.

Nestes últimos quatro anos da minha vida tudo mudou... ganhei independência, tornei-me responsável, fiz amigos que jamais pensei em perde-los, ganhei uma nova família...

Ou pelo menos eu… inocente e ingénua pensei que sim e... de repente... puf...

Tudo mudou... de um dia para o outro senti-me afundar em mim própria...

Foi assim que descobri que afinal a minha pedra bate...

Às vezes devagar...

Às vezes mais rápido...

Às vezes pula...

Às vezes salta...

Às vezes chora...

Às vezes ri...

A minha pedra bate por ti..

Carla Carvalho